de crina longa e cauda recortada,
afoito por natureza,
que transporta a rosa dos ventos,
fadada a se tornar a rosa dos tormentos…
Roda d’água da represa,
girando e produzindo energia hidráulica,
derramando alegria sobre a face do dono da terra,
que sem ela seria árida,
sobre a face da terra,
que sem ele seria seca…
Percebo a raridade da cena
e fotografo o momento dos pombos venezianos
comendo das mãos dos turistas
em um de meus dias de Europa…
Onde houver uma rede e árvores,
aí pode ser meu lugar de ler, de escrever,
de rezar, de descansar…
Cabisbaixos, os tatus procuram não sei o quê…
Proprietários de buracos, têm onde se esconder!…
Felizmente cavo e lavro apenas palavras.
Distribuo meus bens não entre os pobres,
mas entre os candidatos a pobres…
Haverá dom maior que o de viver e aprender,
o de aprender e arquivar,
o de esquecer e lembrar?…
Vazio do ser…
Ô riqueza!
Espaço para se encher de novos dons!…
Atenas dos filósofos, dos oradores, das Helenas…
Todas as mulheres já foram pequenas…
A que vejo agora tem apenas um ano de idade,
olhos azuis, cabelos negros
e se chama Luísa…
Belo Horizonte
Euna Britto de Oliveira
