Um caquinho de mulher,
Com os dedos dos pés cansadinhos,
Mas tão boa e envergadinha,
Que dava vontade de a gente levar pra casa…
Mandou abrir o portão.
Transpus a porta da casa,
Onde tilintavam os sete sinos da felicidade.
Deixou-me telefonar.
Buscou a toalha
E enxugou meus braços.
Não adiantou dizer que não precisava,
Não me “obedeceu”.
Chovia…
Enxugou-me para eu não pegar resfriado!

A casa da frente era a minha,
Com estrago de silêncio na campainha;
Sem a chave da casa,
Para que me abrissem a porta,
Precisei usar o telefone da vizinha, num tempo sem celular…
Inarredável como um cipreste
Que balança ao vento,
A imperturbável velhinha,
Ao sabor do tempo!…


BH – 20/12/1982

Euna Britto de Oliveira