A Caça e o Caçador

Quem me acha?
Agacho-me
Esgueiro-me por entre os passantes
Escondo-me atrás de muros
Prendo-me entre quatro paredes…
Um belo dia
Alguém me acha!

De que adianta isso,
Se o que me espera é o branco
Que fazem com a borracha?…
Gostam de encontrar-me,
Mas gostam mais de perder-me.
Com a mesma facilidade,
Sorriem, desmancham o sorriso…
Falam, escrevem, telefonam…
E aposentam a palavra.

Conheço o esquecimento.
É dele que eu me escondo.

Quem me acha,
Para depois esquecer-me?…

Como peixe que fugiu do anzol,
Fisgada e aprendida – prevenida,
O que vem depois, já sei:
É a vida…

Agora, sou eu que quero achar alguém!
Para lembrar ou esquecer?
Só Deus sabe…
Para o que der e vier,
Se os Anjos disserem
“Amém!”


02/04/1999 – Sexta-feira Santa.