também se morre de tédio, de vergonha,
de medo, de aperto, de raiva, de tanto esperar,
da tristeza que paira no ar,
de tantas coisas, meu Deus!…
É a meia morte vivida,
é a vida meio morrida,
treinos de ressurreição!…
Hoje, eu me levanto de uma desesperança.
Amanhã, terei de me levantar do meu próprio corpo!…
O extermínio do corpo não elimina a vida,
que é abstrata, irreversível, forte, programada
para nunca mais acabar, para de alguma forma
e em algum lugar de novo se manifestar…
Centelha que se soltou do divino, sinalizando
um fogo, um incêndio, um grande centro de Amor!…
O corpo, sim, está contido no tempo.
A vida é outra coisa! Independe de fronteiras…
Essência contida no corpo só por uns tempos!…
Cada vida é um taquigrama na eternidade
e, em qualquer papel, traduz-se naturalmente…
A morte é quando a vida pede licença pra sair do lugar em que está,
ir só até ali…
E aproveita pra libertar-se!…
A morte vem com as desculpas da vida, pois a vida é muito educada!
Quer mesmo é ser libertada!
Gostamos da vida porque ela é linda!
E mexe-se…
A morte, coitada, rígida,
é uma boa perdedora.
De tanto ver renascer, insiste em permanecer.
Mas a vitória é da vida!
A PAULO EDUARDO MASCARENHA…
“IN MEMORIAM”
Euna Britto de Oliveira
