coberta com um pano branco,
serve de leito vazio para o meu próximo pranto…
Chorarei lágrimas lentas ao sul do Equador!…
Coarei café sem doce para tomar bem cedinho,
antes que o coração se desarme e desame a vida
como se desama a dor.
O mundo amanhecerá outra vez,
mas nem todos amanhecerão com ele…
Mais que genealógica, a árvore da vida é sem lógica.
Há um rodízio de nascimentos e mortes
entrelaçado de sortes,
entremeado de cortes,
não sei se com datas marcadas
para começo e fim,
encantos e desencantos,
encontros e desencontros,
recomeços…
Jantarei à meia-noite.
Já vão servir o jantar, com tudo a que tenho direito.
Se existe o que não é perfeito,
é para aperfeiçoar o que será perfeição.
A tinta vermelha e quente que esguicha do coração
é pingo doce que pego
de um doce pingo de gente
no teste para injeção…
Respinga no meu caderno,
em forma de mais uma canção…
Atento, resmunga o demônio,
ao ver tanta proteção!
Apesar de tudo,
vivemos, sonhamos,
vestimos cores alegres,
cantamos e até dançamos
porque há quem nos ampare
e conduza com Sua mão!…
Não estamos aqui de atrevidos,
temos Dons,
temos Dono,
que deu autorização!
Euna Britto de Oliveira
