Nina

Um dia, o mundo amanheceu sem você
e eu quase deixei de ser…
Pensava que esse dia estava muito, muuuito, muitíssimo distante!…
E que você ficaria velhinha,
com a gente indo visitá-la para tomar a bênção,
mostrando-lhe os netos novos e velhos,
levando-lhe presentes no Dia das Mães,
mas o último que tive a oportunidade de lhe oferecer, faz tempo,
foi uma camisola azul claro, de nylon,
com detalhes de renda e um laço de fita de cetim na frente,
que eu mesma vesti depois,
você nem chegou a usar…
Pensava que iríamos comemorar o Natal pelos séculos afora…
E que, nos aniversários, nos reuniríamos sempre
para um abraço, um almoço e um canto de parabéns!…
Achava que você estaria sempre aí,
de plantão!
Para ouvir nossos sucessos e nossos problemas…
Não deu.

Agora, eu tenho sempre um medo de que o mundo amanheça
sem alguém que eu ame.
É como estar na guerra e ter medo de que uma bomba caia em cima …

Tire esse medo de mim, Mãe!
Que o meu amor seja sempre acompanhado de coragem,
da coragem de ver que a vida é só agora,
o que está por vir é terra prometida…
Agradeça a Deus comigo por ter deixado uma saída,
a de eu ter saído de você
e você ter entrado em minha vida…
E de, ao sair, ter ficado mais ainda!…



Belo Horizonte, 07/04/2000.
Nina Torres Costa Britto – In memoriam

Euna Britto de Oliveira