Perfumes

Por um momento, a realidade abre mão de mim.
Rendo-me à fantasia, que também é de Deus,
uma espécie de anestesia…
Só não posso é abusar…
Pecado é o abuso do bom
e tem um preço!

Gosto de sentir os cheiros da natureza,
das folhas, mais que das flores;
das flores, mais que das frutas…

Escolho a folha pelo nome:
Alfazema, alfavaca, alecrim, arruda, hortelã, manjericão, erva-cidreira,
capim santo, patchuli, cravo e canela…

Uma vez, queimei-me com uma folha anônima…
Escolhi pela pequenina flor em forma de estrelinha branca,
quando reunia flores do campo para colocar no vaso.
Traição!
Até interrompi o buquê!
A planta era cansanção…
Com as urtigas, tenho um pé atrás…

Há cheiros que são perfumes…
E o cheiro da gasolina do carro em que a gente aposta?!…
Da roupa suja de sal
do nome que a gente gosta?!…

A fantasia me tange,
a realidade me constrange…

Para viver,
em vez de esfriar,
aspiro, inspiro, respiro…
Conforme a hora,
suspiro…

Euna Britto de Oliveira