Providência

Os beija-flores que existirão depois de mim beijem
seus beijos sem fim…
Mas esse que vi de manhã beijando hibiscos vermelhos
na janela do meu quarto,
e já nem sei se o verei mais,
é a vida delicada que me atalha
pra me lembrar que Deus cuida até dos passarinhos,
quanto mais do meu irmão!…

Quase imperceptível, ele volta…
E desaparece…
Descreve a rota da esperança,
das coisas boas que chegam
e podem ser tão pequenas
que até podemos não vê-las…

Um beija-flor inaugura um canto no meu coração,
o do discernimento.
Ou será de reconhecimento?…
Por que esse bico tão longo?
Por que esse corpo tão pequeno?
Por que suas penas?…Por que as minhas?…

Meu pensamento repassa mil flores
e repousa no galho do arbusto onde o beija-flor
nem mesmo marca deixou,
mas garanto que pousou!
Testemunha eu sou.


Para meu irmão Humberto, em quem pensei…
Para Lorena, sobrinha e nora que, ainda estudante, medicou e salvou um beija-flor em Goiás…

Euna Britto de Oliveira