Espio dentro da noite o vaga-lume amigo
que vem do fim do mundo…
que vem do fim do mundo…
Pulseiras de plástico e de borracha,
olhos de resina,
esses anéis, essas pratas, essa platina…
Tudo como esteve antes,
no sonho de uma noite
com a menina Uína…
Às vezes sou tão desamada,
que me pergunto se sou eu mesma,
o que é que tenho,
o que é que não tenho,
o que foi que aconteceu?…
No entanto, tenho uma foto, várias fotos…
Numa delas, com uns quatro anos de idade,
meu tio me sufoca num abraço…
Foi assim que fui criada:
Muito carinhada…
Entro no álbum,
entro na foto,
entro no abraço,
não estou mais desarmada,
encouraço-me com o abraço
do meu tio, fujo do laço
e o desamor não dá mais
nem um pio!
Ou então dá,
mas eu escuto é o assovio
de todos os que me amaram
nesse grande frio!
E me aqueço,
e me esqueço…
Dou a volta por cima,
num rodopio…
Euna Britto de Oliveira
