“Luciole”

Luzinha solta na noite,
um vaga-lume acende um ponto em minha memória!
Desprende-se do bando, do tempo, das outras lembranças,
e se destaca por luciluzir,
por me seduzir…

Tudo que vem com luz, eu gravo:
O farol de certo carro,
a ponta do cigarro com que me queimei e deixou marca,
as brasas da churrasqueira
em festas de aniversário,
as lâmpadas solteiras dos postes
que iluminaram a espera do namorado…
Palavras com que me ensinam o jeito de navegar,
a luz que vem dos teus olhos
enquanto é impossível não olhar,
a vela que se consome
pra Nossa Senhora ajudar…

Nunca te dei um vaga-lume.
Tive a idéia de te dar um de presente!
Um vaga-lume brasileiro,
que tem asas, tem dono e tem cheiro…
De estimação,
todo equipado para voar na escuridão…
Ele é meu.
Toma-o!
Cuidado! Vaga-lumes gostam de voar!…
Não o deixes escapar!
Pode ser que fuja para o fim do mundo…
E quem o vai mais encontrar?…
Também não o deixes sufocar!
Num espaço em tua história,
ele possa sempre morar!

Vaga-lumes se alimentam de cupim,
ou de alguns movimentos
que nascem dentro de mim…
De qualquer luz pequena
que na vida valha a pena …
Dessa alegria que precede minha energia…
Vaga-lume é um portadorzinho de amor!…


Para Lucíola Muriel Quites

Sabe por que dediquei este poema a você, Lucíola? Porque Luciole significa vaga-lume em francês. Lembrei de você, sempre iluminando minhas noites com seus e-mails geniais!…

Euna Britto de Oliveira