Minha prevenção contra os domingos
não acontece aqui,
onde nem me lembro que dia é!
Sem referências,
permito-me reminiscências…
Chove em minhas pernas,
do lado de fora da rede
em que me balanço,
num arremedo de pássaro…
Até a chuva é morna,
nesta tarde de verão.
Lembro-me da Estatística,
que classificaria como morna
a mulher que tem a cabeça no forno
e os pés na geladeira,
ou vice-versa.
Meu vice-verso é para um mosquito,
o borrachudo, o fincudo,
que parece um kamicaze
quando ataca,
agressivo,
decidido,
inconseqüente!…
Em vôo certeiro,
pica a gente,
interessado em sangue.
Desaforado,
ainda liga a sirene…
Que veneninho tem o maruím
pra ter picada tão ruim?
Por que Deus fez os mosquitos?
E as baratas,
que sobrevivem até à bomba atômica?
Algumas cobras são gentis com suas crias…
Quem entende?
Euna Britto de Oliveira
