Minha esperança é verde
Como essas fitinhas de couve
Que eu pico agora – estreitas, apenas nervuras…
Não é uma esperança nervosa,
Nenhuma esperança é ansiosa.
É um ensaio de paz,
Pequena amostra de calma,
Sereno resíduo de céu
No aço do espelho da alma…
Confortavelmente instalado na almofada,
O gato se espreguiça sem ninguém por perto.
O redemoinho passa e não o incomoda.
Branca paciência, os carneiros se repetem indefinidamente…
Ai de mim, entre pedra e pau,
Asa-delta e cal…
Fortemente arremessado,
O dardo perfura o cacto no deserto.
Sobre a areia quente, serpenteia um réptil
E medra uma flor amarela!
O mundo continua inacabado…
Euna Britto de Oliveira
