Voz do Coração

Nesse cômodo limpo e iluminado onde me isolo,
construo merecimentos…
Alguém dar o pulo do gato em meu pobre tesouro?…
Não deixo!
Carrego-o comigo, esse caderno
que é diário, breviário, crediário,
lâmpada maravilhosa
onde esfrego meus sentimentos
e aparece um gênio,
para fazer-me a vontade de encontrar
um princípio de verdade,
um meio de liberdade,
a claridade, a caridade
de que estou a fim…
Não sou de chutar o balde,
nem de jogar tudo para o alto!…
Levo tudo em consideração!…Debalde,
derramo-me sobre o papel virgem.
Ora doce… ora veementemente!…
Não como o leite que se derrama e espalha,
mas como o sal,
ou como o mel
onde se espelha a falha…

Meus dentes não são de confiança,
mas meu coração, sim!
Sinaliza em
vermelho,
amarelo
e verde!

Às vezes, desobedeço o meu coração,
quando ele pede para sair,
e mostro que fico!
Ou quando ele pede para ficar, e eu saio,
e escondo que crucifico a independência
em pleno 7 de setembro!…
Por conveniência.
Por sobrevivência!


Sítio Pequeno Príncipe, 07/09/2000

Euna Britto de Oliveira