Faz tempo que não vejo uma arara!…
Uma rede rara,
não de Marraketch,
de palha de buritis,
muito bem decorada
com desenhos artísticos,
lá de Januária,
quando balança,
ampara-me e me pára!
A família que a fabricou
morreu de inanição.
Éh, minha Nação!…
Uma rede rara,
não de Marraketch,
de palha de buritis,
muito bem decorada
com desenhos artísticos,
lá de Januária,
quando balança,
ampara-me e me pára!
A família que a fabricou
morreu de inanição.
Éh, minha Nação!…
A claridade me faz abrir os olhos.
Nacarada, a manhã puxa minha saia
e eu saio a assear a casa…
É gostoso morar no limpo!
Criança nenhuma suporta bem a solidão.
Por isto, o menino brinca com o cão…
E eu, vou brincar com o quê?
Com tintas,
tesouras,
tecidos,
gavetas,
plantas,
papéis,
lápis de pontas bem feitas,
canetas,
água,
terra,
carvão…
Vou brincar de adivinhar estrelas,
de encontrar pessoas na internet,
de espalhar búzios no chão…
Vou dar um jeito no meu coração!
BH, 25/06/1986.
Euna Britto de Oliveira
