Armação da Poesia

De assalto,
O sentimento me pega,
Desarmada,
Desprevenida,
No ônibus, no chuveiro, na vida
Sem papel, sem lápis, sem nada…

A essa altura da sorte,
Não gosto de pensar em morte.
Minhas crianças iriam ficar tão tristinhas!…

Deitei-me aqui
Foi mais para sentir-me apoiada,
Na casa onde sou residente,
No pano resistente da rede,
Que me dá a sensação de levitar,
De deitar em nada…

Minha missão mais difícil é ser eu mesma!…
Por que a Poesia não deixa pra me pegar
Só quando eu estiver armada?
Armada de papel, sentimento e caneta?!…

Euna Britto de Oliveira