eu ouvia dizer… e aprendia!
—”Folha disso é bom pra isso,
folha daquilo é bom para aquilo outro…”
Morava na fazenda, onde mato não faltava!…
Escolhia folhas em volta do terreiro,
colhia-as pra macerar e fazer chá,
e brincava sério
de curar pessoas!…
Lembro de meu Pai gripado,
sem os remédios da cidade.
Eu lhe ofereci umas folhas maceradas
misturadas com àgua – minha milagrosa poção.
Lembro até da sopeirinha, de louça branca,
e da colher de sopa, para ele tomar!
Para mim, ele tomou!
Será que tomou, de verdade, ou não?…
Sei não!
Pelo menos, saí certa de tê-lo medicado!
Incentivou-me.
Devo ter-lhe oferecido folhas de laranjeira
misturadas com hortelã, capim santo
e outras mais!…
Porque meus remédios eram sempre compostos
de muitas qualidades de folhas!…
Mastruz com leite, não iria lhe oferecer,
porque já sabia que seu caso era gripe,
e mastruz é contra vermes…
Hoje, não escolho o que colho.
Recolho e misturo palavras
para fazer poesia…
Tudo remédios!!!…
Se não fizerem bem,
mal também não vão fazer!
Tem perigo não!
Euna Britto de Oliveira
