Nada Impede a Beleza

Tenho meus mecanismos de fuga,
pressinto abismos…
Estou em vias de resvalar,
sozinha,
do alto do morro,
onde se morre de frio,
até o vale dos desvalidos,
de temperatura ideal.

Sou colega da garça, do tigre,
da corça selvagem, do antílope…

Uma macaquinha de circo,
vestida de saia e touca,
faz gracinhas para o meu riso…

Uma cadelinha de olhos esbugalhados
pede-me, com o olhar, para ser minha.
Tem tantas pulgas, a pobrezinha!…

Às vezes desobedeço o meu coração,
o resultado é a frieza.
Outras vezes, obedeço-o,
e o que aparece é a beleza!
Nada impede a beleza
que o coração pede!…

Euna Britto de Oliveira