Tom coloquial

A tanta vontade de enviá-lo à Laurinha
fez-me acessar o cartão animado de aniversário
e acertar o clic do e-mail!…
Mãos, dedos e olhos
são terminais do coração…

Em pilão de madeira de lei,
soca-se o que será pó e ânimo:
arroz integral, fubá, café;
esse costume rural,
esse som colonial…

Uma gatinha descadeirada
está entre a vida e a morte,
estou torcendo por ela…

O pintinho de perna deslocada,
filho de chocadeira improvisada,
come farelo de milho, pia pouco, bebe água
e me suscita compaixão,
por causa da sua perninha…

Derramo álcool e risco um fósforo
sobre duas taturanas venenosas!…
Elas se contorcem, deve ser de dor.
Para mim, não é nada.
Para elas, é um incêndio!!!…

Daí a pouco,
penso na dor dessas duas vidinhas
e sinto culpa…

O coelho acastanhado
torou com os dentes a minha roseira lilás!
Ficou por isso mesmo…

As pombas fogo-pagou acariciam-se
e trocam reverências,
ensinando amor…

Nossos cães já foram fotografados,
mas muitas pessoas, não.

O menino chora e ninguém liga!…
De que liga somos feitos?…

Euna Britto de Oliveira