A praia grande gemeu torto um som de mar…
Um barco branco acolheu a gaivota
que o escolheu para planar…
A água-viva e a gaivota marcam meu chão e meu ar…
Um barco branco acolheu a gaivota
que o escolheu para planar…
A água-viva e a gaivota marcam meu chão e meu ar…
Fardados, os camarões caem nas redes,
exército de gostosura!…
Preferem ao molho ou em fritura?
Trisca a língua nessa água
e vê o tempero em demasia!…
Parece desperdício,
mas no fundo é provisão.
Um tubarão belisca o casco do navio,
o comandante nem vê,
hoje é Feliz Ano Novo,
e não me toca muito.
Na televisão,
videntes jogam cartas e búzios
e fazem previsões,
para nada do que dizem acontecer!
A não ser o que todo mundo já sabe
que tende mesmo para ser…
O vestido da menina não é caro,
mas é novo e branco,
e minha casa é a que dá música
e hibiscos para a rua…
A criança se levanta em alta noite,
tapa os ouvidos com medo dos foguetes,
e nos encontra celebrando
provisoriamente
a Paz!…
Nova Viçosa, janeiro de 1984.
Euna Britto de Oliveira
