Eu me queimo e me consumo
em meu fogo e labaredas.
Mas os meus rascunhos,
o meu resumo,
não os queimo por nada!
Nem em forno,
nem em brasas,
nem em labaredas!…
São para meu próprio consumo,
e de quem mais desejar.
No centro de uma roda de crocodilos,
invento saltar fora primeiro.
Tantos olhos e tantas bocas me vigiando
e aguardando!!!…
Se cavarem mais em volta desse aparente caco de telha soterrado,
descobrirão que se trata de uma ânfora…
Barro cozido, sim, mas inteiro!
Tesouro semi-enterrado em solo de areia e poeira.
É de barro, mas contém ouro,
muito ouro!…
Quando tia Nice viu, ela sorriu.
Porque gostava de ouro.
Porque gostava de mim.
E aquele tesouro era meu…
Pois não foi, de pequena, que ela me ensinou a rezar
e me mostrou que, em caso de viagem,
quando não se tem cofre,
podem-se guardar jóias dentro de uma lata
e enterrar no chão da chácara?
É só marcar o lugar e despistar…
Com uma testemunha, pra não perder o lugar.
A testemunha era eu.
Tia Nice, minha mãe seguinte,
minha mãe urgente,
minha confidente,
minha vidente,
minha profetiza,
meu superlativo de bondade,
minha saudade,
minha usina de energia,
minha estrela e guia…
Olha só minha alegria, tia Nice!
Trago nos braços o que retirei da minha lavra,
igual me viste no teu sonho, tu, que tinhas o dom da premonição:
Feliz, com os braços cheios de livros!!!…
O futuro chegou
e o passado não passou.
Tu, que mal-me-acostumaste com presentes,
vê se gostas do meu Presente!
Lindona!
Beijos silenciosos e estalados
no teu rosto semi-sorrindo,
nos teus olhos semicerrados.
Perto ou distante,
a mesma de sempre: Eu.
Euna Britto de Oliveira
