Semeadura

Ando plantando em vão.
Há um vão onde as sementes caem,
E perdem-se!…

Continuo a semeadura…
Quem sabe, entre os milhares de sementes lançadas,
Ao menos uma não caia no abismo,
no vácuo;
Ao menos uma, ao sopro do Espírito,
Possa se desviar da vala comum onde jazem meus esforços,
E encontre terreno fértil,
E germine, floresça, frutifique, gratifique e satisfaça minha sede, minha fome,
O meu desejo imenso desse amor que não nasce, que não renasce?…

Mais dura que a terra, sou eu, que não me rendo!
A Esperança já se cansou.
Mais forte que a Esperança, sou eu, que não me canso.

Mais perto está o inferno, onde não danço.
Mais longe está o céu, e alcanço!

A ajuda de Deus me incentiva!
Tenho palavras.
Planto-as…


Belo Horizonte, 01/02/04

Euna Britto de Oliveira