Tropismos…

A paz da porta aberta não existe por aqui.
Trancafiados, o portão e a porta.
Os muros não derrotam, mas desanimam a próxima vontade
Dos que amam o alheio…

As crianças, dentro das casas,
Brincam com legos coloridos, de encaixe,
E formam com eles
Castelos, trenzinhos, navios, edifícios
Casas, postos de gasolina…
Eu brinco é com palavras;
Com elas, faço léguas de letras…

O pássaro bebericou na flor
A gota de orvalho
Que o sereno da noite depositou!
Nessa noite, não houve pecado,
Não que eu cometesse.

Girassóis… todos virados para o sol!
Fototropismo nos trópicos!
Tropeço em margaridas,
Todas brancas, todas lindas, todas idas!…
Era na beira da piscina
Que elas cresciam
E se ofereciam, alegres, para as borboletas…
Rosas abstratas, trato-as com cuidado extremo.
Preciso desse perfume para o ciúme de Deus!
Ao canto das cigarras, que me agasta,
Prefiro o silêncio laborioso das formigas,
Que me instrui…
As cigarras estão cantando,
Chamando chuva!…

Euna Britto de Oliveira