Olim

Dormi com o momento seco,
Sem mãos amigas,
Do lado direito e do esquerdo – sem par.
Mas dormi numa cama boa,
Lençol cor do pôr-do-sol,
Travesseiro atravessado
Sob meu pensamento travesso,
Vizinho do meu coração pelo avesso…

No livro que me enviou,
Helena Luna e sua rosa roubada
Fugiram correndo pra casa…
Peguei carona na fuga,
Cheguei juntinho com elas!
Platéia e sentinela,
Não vi se era rosa amarela…

Fico feliz à toa,
Do jeito que fico infeliz.
Tanto quanto a infelicidade,
Depressinha, a felicidade voa…
Igual a todos,
Gosto de ser feliz à beça!…
Mas isso não é quando eu quero,
É quando a felicidade quer!
É quando a felicidade pode…

Brilhante, Tereza fez a faxina,
Encerou a casa
E, antes de sair, me chamou pra ver!
O brilho deixado pela enceradeira
No chão de meus passos de agora
Refletiu-se em minha alma.
Numa fração de segundo,
Brilharam para mim novamente
Todas as salas de minha vida
E as pessoas queridas
De minha vida ida…
Gosto de tudo que brilha,
Gosto de brilho!
O fosco não me convence.

“Olim” – ultimamente, essa palavra torna-se recorrente
Toda vez que páro pra pensar em gente.
Outrora, estudei um pouco de Latim,
Porque fazia parte obrigatória do curriculo escolar.
“Olim” – em Latim, quer dizer: Outrora…
Estou querendo falar que fico triste
Toda vez que vais embora…
É como se num instante
Chegasse a noite
E fosse embora a aurora…

Tão parecido com “nunca”,
Engraçado é que em Latim
“Nunc” quer dizer: Agora…

Agora é Nunca?
Agora ou Nunca?…

Euna Britto de Oliveira