Selvina areava as panelas à beira do rio Mucuri
Era areia mesmo, bucha vegetal e sabão de pedra ou de coada que ela usava
Eu estava de férias do colégio interno
E minha melhor diversão na fazenda era esse querido e às vezes temido rio
Nas enchentes, ele virava outro!…
Era um tempo de estio, um dia de sol
Bom pra nadar no rio!…
O porto era seguro e nossa casa era perto
Enquanto Selvina lavava as panelas
À margem do rio e à sua margem
Eu a observava e escutava…
Gosto de olhar as pessoas em seu trabalho!
Foi então que ela profetizou uma dura profecia:
“Quem não morre de novo
De velho não escapa.”
O tempo vem passando
E eu não morri quando nova
Paira no ar a sentença!…
Estamos numa fila invisível
O número da minha senha eu não sei
Não suportaria saber
Deus sabe e basta!
Nesse tempo eu tinha mãe, tinha pai
E tinha todos os meus irmãos!…
Havia Selvina, tão cirineia, que por uns tempos nos serviu
A mim, ela serve até hoje
Com suas sábias palavras de Bíblia!…
Obrigada, Selvina, onde quer que você esteja!…
Era areia mesmo, bucha vegetal e sabão de pedra ou de coada que ela usava
Eu estava de férias do colégio interno
E minha melhor diversão na fazenda era esse querido e às vezes temido rio
Nas enchentes, ele virava outro!…
Era um tempo de estio, um dia de sol
Bom pra nadar no rio!…
O porto era seguro e nossa casa era perto
Enquanto Selvina lavava as panelas
À margem do rio e à sua margem
Eu a observava e escutava…
Gosto de olhar as pessoas em seu trabalho!
Foi então que ela profetizou uma dura profecia:
“Quem não morre de novo
De velho não escapa.”
O tempo vem passando
E eu não morri quando nova
Paira no ar a sentença!…
Estamos numa fila invisível
O número da minha senha eu não sei
Não suportaria saber
Deus sabe e basta!
Nesse tempo eu tinha mãe, tinha pai
E tinha todos os meus irmãos!…
Havia Selvina, tão cirineia, que por uns tempos nos serviu
A mim, ela serve até hoje
Com suas sábias palavras de Bíblia!…
Obrigada, Selvina, onde quer que você esteja!…
Belo Horizonte,, 04/08/2015
Euna Britto de Oliveira
