Abstrações

Olhei o mato outra vez,
e agora ele tinha cheiro, cor,
e até sentimento!…

Uma fruta doce como mel
e outra amarga como fel
serviram-me de alimento.

Quem abaixou os braços
das pessoas que não se abraçam mais?…

Penso em escadarias.
Quão baixas seriam as alturas,
se tivéssemos asas!…
Degrau por degrau…
Isso também não é mau.
É possível subir!

Os que vieram depois
não mais encontraram as dificuldades
enfrentadas pelos que amolaram as primeiras facas,
e fabricaram as primeiras fardas!…

Queria ver de perto o rei do hunos e os hunos,
para saber se eram bárbaros, se eram belos!…
Tenho um fraco por beleza.

Não me espera o tempo,
que se derrama na ampulheta…
Ou se despede na cadência dos relógios!…
Numa relação de abstrato “versus” concreto,
o tempo soterra mais do que a montanha!…

Quem vê um enterro,
cheio de choros e flores,
poderá constatar depois
a quietude…

Despedida é uma hora só.
Os cemitérios são cenários de despedidas,
e nada é pior.

Euna Britto de Oliveira