Acampados

Barranqueiro, barranqueiro,
tu, que deixaste o barranco,
tu, que adotaste a barraca,
por que logo não te arrancas
e vais colocar estacas
para o nosso amor cercar?

Tua barraca é azul,
da cor dos mares do sul.
É barrada de coral
e resiste ao temporal.
Entre suas paredes moles,
eu penso nas lendas dos árabes
e nas tendas dos ciganos nômades,
que, primeiro do que nós,
assim se armaram
e amaram…

Essa casa transparente…
Será que os meninos, do outro lado,
estão vendo a gente?…

Euna Britto de Oliveira