Amor Perfeito

Com violências violáceas,fez-se o desamor.
Veio a hora do recreio
E a criança ainda estava em dor.
No pequenino canteiro,
O amor-perfeito tinha rajas de amarelo
Mas era muito mais roxo.
As violetas é que eram roxo só.
Ah, minhas florezinhas sentidas,
Que nunca reagiram!…
Algumas até desmaiaram em lilás e branco…
Outras sublimaram-se em rosa…

Violadas todas as cartas,
Menos da metade transportava beijos.
As verdades musicais saíam dos violinos
Tanto quanto dos violeiros ingênuos
E do gemer dos engenhos.
Minhas verdades matemáticas se resumem
Numa só.
As metafísicas, também.

Ai, como sou boa pra fugir
E péssima para fingir!
Se minha poesia fala de fugas
Posso colocar entre suas rugas
Que é Deus quem me faz me assumir!


BH, 1980

Euna Britto de Oliveira