Não encontrar a saída,
Não encontrar a palavra mágica que sirva de senha
Para o andar de cima da vida!…
Mesmo desanimada, a esperança avança,
Porque crê que quem espera alcança!
A graça existe,
A falta de graça cansa.
Há pecados novos
E há novos pecados…
A gravidade pesa,
Mas os pecados pesam mais!
Há o que empurra para baixo e
E o que puxa para cima.
No equilíbrio das forças, existimos.
Os ponteiros dos relógios andam em círculo…
Nunca dançam tango, nem minueto, nem valsa…
Os ponteiros dos relógios andam em círculo
E só sabem fazer roda…
De hora em hora, encontram-se, pontuais!
Relógios não dão notícias das horas
Para os que partiram…
Na eternidade, o tempo não existe.
Compromissos,
Encontros marcados,
Relógios de ponto,
Horários de ônibus…
Tudo será transmutado em desnecessidade.
Correria? – Não mais.
Atrasos? – Não mais.
Conversas fiadas? – Não mais.
Palestras seriíssimas? – Não mais.
Anne Frank, que esteve no cativeiro,
Agora deve estar na glória!
Um Salmo sacode a poeira dos corações confusos e desanimados…
Em torno do seu eixo,
Dia e noite, a terra gira…
Todos os pecados do mundo,
Dia e noite,
O Cordeiro tira…
BH, 2006.
Euna Britto de Oliveira
