Angústia

Ah! Se eu pudesse morrer de chorar!…
Iria chorando e me dissolvendo…
Primeiro a carne,
Depois o sangue,
Os nervos, os ossos,
Cabelos e unhas,
Até virar uma poça d’água
E evaporar!…Mas eu não sou água
E à água não hei de tornar.
Eu sou pó,
Por isso só
Seco e sem lágrimas.
Terra estorricada do Nordeste,
Aridez desértica
Onde medram flores bravas,
Gordas folhas de cáctus e espinhos.
Eu sou pó
Que empoeira o fruto
Com carinhos secos, pecos, mesquinhos…


Belo Horizonte, 1978.