Apenas um teste

O meu vestido lilás tem mais o som de aliás…
Tem o atual tom do quarto
Que não é mais do rapaz…

Um verso que não escolhi fez presença no silêncio.
Uma paz de papel pairou sobre uma fogueira
Aqui na terra.
Consumiu-se a paz.
Ficaram os enredos, as intrigas,
As uvas verdes, as espigas…

A história do mundo é assim,
Cheia de covardia e egoísmo,
Altruísmo e heroísmo,
Ignorâncias e delicadezas…
Tecida com fios guardados no fundo da memória,
Na beira do coração,
Numa trama de drama,
Tragédia, comédia,
Ódio,
Amor e paixão.

Desses que vou falar,
Muitos já morreram,
Outros vão pelo mesmo caminho…
Eu vi um pobre receber um lote da Prefeitura
E repartir o seu lote com outro necessitado, sem casa.
Os dois construíram abrigos, em mutirão.

Eu vi fazendeiros com terras a perder de vista
Sem nunca conceder um palmo do chão que era seu
A quem quer que seja.
Nunca vi um marquês, a não ser nos filmes, nos livros…
Mas vi crianças de verdade dormindo no frio, sob marquises…
Eu vi as marcas das coisas ruins que conhecemos
E só acontecem com os vivos!

Como será
Quando Deus perguntar
Como foi o passeio de cada um de nós aqui na terra?
Como será quando Ele perguntar
O que fizemos com o que nos foi emprestado?…

Testemunho?
Testamento?
Apenas um teste em minha testa…

A gente deve andar é com a mala arrumada!…

Euna Britto de Oliveira