Assim não dá!

Assim não dá!
Minhas flores todas caíram para o lado de lá!…
Foi a chuva, foi o vento?
Foi a chuva de vento!…
Invento um convento novo para as moças sem casamento.
Todas se vestirão de pele de ovo,
essa cambraia finíssima, de linho…
E não haverá maridos, nem alaridos…
Haverá, sim, a liberdade de ser!
E Deus protegendo suas filhas,
que os homens não localizaram,
ou até encontraram, mas não souberam amar!…
Na antessala ou parlatório,
o beijo anual, pascal.Saio de mansinho,
e entro na porta do tempo para ir ao meu ex-Colégio,
a fim de comprar santinhos e doces,
e para tirar o primeiro lugar!
O que fazemos com os primeiros lugares?
Nenhum boletim eu guardei,
para comprová-los, para melhor recordá-los.
Os boletins mensais vinham com a palavra Parabéns,
escrita na lateral, na margem esquerda, na vertical,
com tinta azul, com a letra elegante da Irmã Edwiges!…
O que os primeiros lugares fazem com a gente?
Fazem produzir endorfina, esse hormônio do bem-estar.
Além disso, deram muita alegria a meus Pais!
Deram-me a vaidade de ganhar o primeiro lugar
e de não ter vaidade.
E a ilusão de que a guerra já estava ganha!
Que nada!
Aquilo era só uma batalha vitoriosa,
um treinamento para a luta que viria depois!…

Um cântico para Nossa Senhora
invade a sala de aula e me fala
que é magnífico ser visitada por ela,
não só no mês de maio, nas comemorações do Colégio,
mas sempre!…
Em qualquer lugar, em qualquer tempo, a qualquer hora!…
Ou sermos, nós, os seus felizes visitadores!…

Cisco os pensamentos, lembro-me de Cícero, o orador romano…
Lembro-me das aulas de Latim, da Irmã Edwiges,
do cursinho preparatório para o vestibular,
no Champagnat, em BH, do Professor Nivaldo…
E, num livro de vidro, escrevo:
“Catilinárias”…
Eis umas das minhas lembranças portuárias…


Escrito em 1991 – BH.

Euna Britto de Oliveira