Procurei, dentro da noite,
Num mundo escuro e igual,
Um lugar iluminado e sem igual!…
No campo,
Privilegiados, prestigiados,
Pescávamos, nadávamos,
Crescíamos, morávamos…
Cheias de idas e voltas,
Nossas vidas são como balões coloridos
Soltos no espaço…
Eu vi quando o balão de um dos nossos estourou!
E quando um outro começou a murchar, murchar…
Até cair no chão!…
Não consegui chorar, a emoção me calou.
Procuro, no dia claro,
Uma pessoa nunca vista,
E mais outra, e mais outra…
Fotografo a vida:
Dois velhinhos de mãos dadas,
A mulher jovem,
Acusada de haver furtado um galo,
Com o filho Max nos braços,
O rapaz perdido, já regenerado
E uma casa anônima,
Só porque está repleta de flores
No portão de entrada!
A buganvília não me pertence
Mas enfeita a rua por onde passo,
É flor ditosa,
De todos!…
Numa poça de água de chuva,
Na praça sem calçamento,
Meu pensamento passeia descalço…
Nos pés, essa água daria frieira.
Bicho-de-pé é realidade e lembrança…
Há quem goste de pegá-los,
Só pra sentir coceira…
Em uma outra casa
Avistei foi uma quaresmeira…
Euna Britto de Oliveira
