Casa branca

Uma casa na esquina,
as janelas sem quinas,
uma mesa redonda
e andorinhas de ronda…

Ou casa de esquina não serve?
Ou andorinha não vale?
Ou mesa e janelas retangulares?
Reflito e componho outro arranjo.

Uma casa grande, branca, benta,
uma felicidade enorme e lenta…
Com prolongamentos para o mar
e para as flores roxas, brancas, azuis, amarelas
e as vistosas plantas do campo…

Uma cerca branca,
porque cercar é preciso;
e uma falta de muro,
uma falta de escuro,
amor sobrando nas latas,
nas camas,
nas roupas baratas e limpas,
no jardim vermelho e branco…

Destranco um pouco de nada
e vejo uma fogueira,
uma árvore de natal iluminada,
e dois nascimentos em um…
Vou virar vovó, viúva não, anciã…

Nem preciso esmagar as folhas do alecrim
pra sentir o cheiro que guardou pra mim!…
Um retoque, e a Casa é Blanca…

Euna Britto de Oliveira