O muro onde o condomínio acaba é a necessidade de limites,
lembrança da Idade Média,
média segurança para perigos sem fim…
Acho esse nome horrível para um aeroporto: Confins.
Dobraram-se como joelhos as colunas do edifício,
com a explosão da bomba que nem era atômica!
Rápida e fácil é a destruição!…
Demorado é construir… reconstruir!…
Tanto prédios quanto pessoas, quanto imagens de pessoas…
As marteladas ensurdecem a pomba,
e o pedreiro nem liga…
Também o som do motorzinho do aquário
deve perturbar demais os peixinhos vermelhos!…
Mas o dono deles nem se toca!
Maleáveis demais, os fracos são os fortes de Deus!
Como um radioamador, repetindo, tentando contato,
insistindo… reinvento falar com os céus!
O céu é longe demais!… o céu é dentro de mim.
Estou dormindo…
E só com muito barulho ou chamado acordo.
Concordo, De acordo, Discordo são expressões que ouvíamos
no Tribunal, na Taquigrafia, da boca dos Juízes…
Já na Assembléia Legislativa, os Deputados começavam assim:
Sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos.
O vôo do Concorde não tem nada a ver com isso, mas me recordo…
Geografia de Deus, venha me situar nesta terra que até hoje estranho!…
Tenho ajudado a construir o reino e ainda falta um “pedação”!…
Há tantos sem nada de tudo,
há tantos com tudo e sem nada…
Ausculto um coração duro, preso dentro de um muro,
muro que devo saltar,
para tentar reaver o rubi raro perdido
num amontoado de carvão e cinzas,
para tentar resgatar um coração sitiado!
Acabou-se a noite.
O horizonte é a larga maternidade onde o sol nasce e renasce!…
Anuviada, penso no Vesúvio.
Aliviada, sobro do dilúvio.
Euna Britto de Oliveira
