COLO…

Bradam aos céus os abusos da terra
O mau uso da terra
Os desterrados da pátria
Os deserdados da sorte
E tudo que seja hediondo!…
Um sentimento arrastado
Arrasado e arrazoado
Não consegue se levantar…
Um coração pisoteado não consegue pilotar!
Ido, Ido, ido…
Doído,
Não doido.
Deitada na estrada
A luz de um farol
Espera ordem para se alongar!…
Um sentimento acudido
Por salmo responsorial
Um coração na salmoura
Curtindo a purificação
Com tudo e sem nada
Com todos e sem ninguém
Um amor que vai
Uma dor que vem
A necessidade de um amém!

Ninguém sabia que havia erro
Engano e morte
Na sorte que reluzia!…

Encolhida, a moça busca uma academia
Para alongar sentimentos
E ressuscitar movimentos!…
Abatida, sentida,
Sentada à beira do caminho.
Sem comida e sem carinho,
A moça!
Deus lhe oferece colo…
Não diz:
“É pegar ou largar!…”
Só quero ver se a moça aceita ou rejeita!

Euna Britto de Oliveira
BH, 06/05/2015