Daqui a mil anos

Meu coração se esconde
E vigia
Na esquina de um dia.

Daqui a mil anos
As minhas preocupações serão outras.
Aliás, nem sei se as terei…
Essa preocupação que me esmaga agora é passageira…
Se é!…

Abro a boca sem parar…
Será quebranto?
Levarei de agrado para Dona Maria
Um potinho de mel.
Ela não cobra
E me faz carinhosa oração
Com seu coração
E com suas mãos boas e sábias!…
Um copo d´água
Um terço
Um raminho de folhas próprias
Para benzedura…

Ai, mundo!
Quando é que se poderá andar aqui livremente,
Sem ventre virado
Espinhela caída
E tantos outros males?…

De vez em quando,
Um Anjo chega e me conforta.
Hoje, esse Anjo foi Márcia Seixas.


20/02/92

Euna Britto de Oliveira