Fotografo o pano chinês vermelho
Que se ajeita em lânguido arranjo sobre a divisória indiana.
Gosto das coisas do Oriente,
De sua sabedoria!…
Desorienta-me o Ocidente com sua pressa
E seus valores…
Sou mais da Paciência do que da Ciência,
Mais da Providência do que da Previdência.
Estendem-se espaços
Sobre a relva do tempo consumido em sonhos, desejos e empecilhos…
Transcendências e transparências…
Perduram dentro das casas as horas duras, ou não,
Dos relógios dependurados no passado…
Marcam compassos, passos, lutas, crises,
Histórias e vitórias!…
Aço escovado,
Brilho metálico ofuscado pelo veneno destilado na sombra
E projetado sobre o amor recém-nascido!
Cão perdigueiro fareja uma caça no formigueiro…
Debaixo da pele,
Debaixo dos panos,
Onde se esconde a tinta vermelha de cada ser humano?
E a cobra extinta, morta a golpes de foice,
Ao som de frases injuriosas,
Onde a jogaram?…
São cor-de-rosa as rosas do buquê da noiva
No vídeo gravado às pressas,
Para enviar aos ausentes…
Criam-se versos e reversos.
Cavam-se cacimbas, túmulos, cisternas e minas
No terreno de uma das casas de Deus!…
Poderia escrever mais, mas não preciso.
Incisivamente, cortam-se os cordões umbilicais
De pessoas que dependiam de outras pessoas,
Para que andem com suas próprias pernas!!…
O silêncio de Maria, ainda que tardia,
Copio…
Euna Britto de Oliveira
