Detalhe

Uma pequenina aranha caminha sobre as flores
que cobrem seu corpo inerte,
sobre a decoração de crisântemos amarelos e brancos,
acrescida de palmas de santa rita,
rosas vermelhas e brancas
e florinhas vermelhas dos jardins de amigas e vizinhas…
Eu pelejo para retirá-la e não consigo,
porque é esperta demais!
Tento outra vez, e outra vez…
E foi como se eu o ouvisse dizer:
— “Deixa a arainha aí, Euna!”
Não ouso mais.
Uma arainha foi enterrada viva com meu pai,
talvez representante das vidas que ele defendia em vida
e não deixava ninguém esmagar!
Isso faz tempo!…
Foi a 21 de junho de 1981.
Euna Britto de Oliveira