Fecha-se uma porta,
abre-se uma janela.
Alguém nos ajuda a passar por ela…
De que cor é a raiva?
— É amarela.
De que cor é a vergonha?
— É vermelha.
De que cor é a saudade?
— É roxa.
E o ciúme?
— É vasoconstritor, constrangedor.
De que jeito é a insistência?
— É cansativa e trouxa.
E muita corda?
— É frouxa…
E a existência?
— Ora é larga, ora é estreita.
A realidade é misturada.
Coceira na palma da mão pode ser
sinal de dinheiro.
E na sola do pé?
— Pode ser bicho-de-pé ou capricho de mulher…
Humilhação?…
— Não tem nada a ver com humildade.
Tem ligação com maldade.
Impunidade?…
— É falta de imputabilidade da pena da Lei.
E auto-estima?
— É dignidade já!
Desengano?…
— Pode demorar… ou acontecer antes de um ano!
Pedestal faz gente normal parecer gigante!
Gigante e outras palavras
começam com a mesma sílaba,
mas ao final se definem.
Descobertos os interesses,
explicam-se vários momentos…
Só não vê quem não quer,
quem não quiser…
Euna Britto de Oliveira
