Adorei Paris!
Mas, na verdade,
Eu não gostaria de morar em Paris.
Muita responsabilidade com outra História!…
Com a cultura, que não é a mesma nossa;
Com os monumentos, que não são os mesmos;
Com as construções, que não são as mesmas;
Com os museus, que não guardam o nosso passado;
Com os “Marchés aux puces”
E suas quinquilharias resgatadas
Do perigo de outras pulgas…
Com os Metrôs subterrâneos em outros solos…
E com a obrigação de dizer, o tempo todo:
— “Desolée”…
— “Enchantée”!
Sem realmente me sentir “desolada”
Nem “encantada”
Em boa parte das vezes
Em que essas palavras seriam pronunciadas…
Aqui, no lugar de “Desolée”, digo:
— Desculpa!
Em vez de “Enchantée”, digo:
— Muito prazer!
Expressões nacionais,
Sem idéia superlativa,
Normais.

Nasci no Novo Mundo.
Admiro e respeito o Antigo, o passado,
Mas gosto mesmo é do Novo!
Sem desfazer dos outros Países,
O Brasil, meu País natal,
É o meu País ideal,
O meu País sensacional!
Somos terra e alma gêmeas…
Terra vermelha,
Pálida, negra,
De qualquer cor…
Areias e dunas,
Lagos, lagoas, lagunas…
Gemidos de mulheres grávidas
Dando à luz sozinhas…

Partos solitários
Pertos solidários

Macacos, preguiças,
Corujas, meus bichos preferidos…

Na hora do almoço,
Feijão, arroz, carne, couve,
Salada de alface, cenoura, beterraba, pepino…
Pimenta, farinha e
Suco de laranja com acerola ou
Abacaxi com hortelã…
Melhor ainda:
Suco de graviola!
Café.
Sou uma brasileira
Com Fé!

Fora do Brasil,
Só me deixam ser
Estrangeira.
Mesmo porque lá fora
É só o que eu sei ser.


“Marché aux puces” – Mercado das pulgas, onde são vendidas coisas usadas, antigas.

Euna Britto de Oliveira