Gentil borboleta…

Uma borboleta mansinha pousou na mão de Ismar
E depois, na mãozinha de Maria Vitória…
Em tão curto espaço de tempo de vida,
Como pôde a borboleta aprender a ser mansa?
Normalmente, borboletas são ariscas.
Homens vivem anos e anos a fio…
E raramente aprendem a tolerância e a mansidão.
“Os mansos possuirão a terra.”
Posto que possuiu a terra, Matusalém era manso?

Brilham de alegria as crianças e as mulheres bem amadas.
Os homens bem amados agem.
Passa um avião…
Quem vai nele, vai contente?
De vez em quando, aviões tropeçam no ar,
Levam sustos…
Penduro brincos na aurora;
Hoje é domingo.
Nem sempre houve, nem sempre haverá domingos.
A idéia de semana, do jeito que conhecemos,
Um dia, vai se acabar…
Horas sem poesia e poesia sem horas,
De tudo experimentei, experimento…
Caramanchão de kiwi,
Jantar à luz de velas entre amigos,
Salada de tomate e mussarela de búfala
Com folhinhas de manjericão…
Comidas antigas não matam fomes presentes:
O que foi lanche e acabou,
O que foi churrasco…
O que foi banquete e sobrou…

Acostumado a ser feliz,
Na hora em que a sorte muda,
Como pode o homem ser infeliz com educação,
Enquanto novas consolações não chegam,
E a tormenta não passa?…
Vi uma foto de D. Amélia no Palácio da Pena,
Perto de Cintra, em Portugal.
Envelhecida e sem Dom Pedro…
Que pena…
Naquela foto,
Com as mãos pousadas sobre o colo,
Nem mesmo uma borboleta
Para alegrar D.Amélia…
Ela estava triste.

Euna Britto de Oliveira