mas não pago um desgosto.
Também não sou muito de pagar pra ver!…
Saio antes.
Quando possível, deserto…
“Viro um tango no deserto”,
como dizia Mauro Franco,
meu ex-colega de Taquigrafia.
Viro um tango no deserto,
e sumo na poeira…
Se o tango fosse na mata,
sumiria na capoeira!…
Quando vejo um lugar bonito e seco,
invento um rio para ele.
Se houver elevações,
coloco quedas d’água!…
Se for plano,
estendo um riacho com meandros,
para Leandro se banhar…
A fantasia anestesia, enfeita,
ajuda a suportar…
Tudo é quando é possível!
Da realidade, também faz parte o impossível!
Aí, eu fico impassível,
quieta,
submissa,
cumprindo todos os minutos,
fazendo-me de morta,
como as presas pequenas
sob as patas de um leão,
de uma onça malhada!…
Aí, só Deus liberta!
Entendo os túneis quilométricos do Viet-Nam
e a frase vitoriosa dos viet-kongs
nos paredões do pós-guerra:
“Nada é mais importante do que a Independência e a Liberdade!”
Calada como o silêncio,
a Paciência espera na fila das promessas…
Até que a Liberdade chegue com sua coroa de sol
e sua comitiva de festas!…
