Uma música complexa cala-se no instrumento.
Não há vozes humanas,
nem mesmo vozes de vento…
Não é um mal do tempo,
é um mal do espaço.
Nesta mesma hora cheia de agonia,
em que minha vida é sufocada
por uma armadura no peito,
em outros lugares,
outra pessoas viajam,
tomam banho de mar,
conjugam o verbo amar…
Ou simplesmente trabalham!
Mas aqui onde estou, jogo o balde na cisterna,
e, em vez de água, vem mágoa…
Os aborrecimentos devem-se a desmerecimentos?…
A vida poderia ser mais terna,
posto que é eterna!…
E a gente precisa de fôlego…
Euna Britto de Oliveira
