Louvação

Na lucidez inclemente das sãs consciências,
as paciências cristãs esperam promessas deuteronômicas,
e se comprazem em preces,
ritos, ritmos,
cânticos, gregorianos ou não,
porque tudo é a longo prazo…
“Kyries, Réquiens,
Tantum Ergos,
Magnificats”…
A Ladainha de Todos os Santos, cantada,
é a coisa mais linda e potente!
Salmos, “Miserere, De Profundis”…
E a Marcha Nupcial de Mendelsson,
em minha cabeça,
competindo com a de Wagner,
para noiva entrar na igreja…
Vence o Brinquedo Proibido!

Ó Deus, que renovas os homens
sobre a face da terra
e nas casas,
só em Roma,
quantos “Paulus” te bastaram?…

Aqui, onde estou, e mais cinqüenta anos,
seguramente só restará pedra sobre pedra,
desse conjunto de homem, mulher e pedras
que te contemplam agora!…

Paro de escrever,
para atender o telefone.
Eis que a notícia é de morte,
e é a de meu Pai!…

Nossa é a transitoriedade.
A eternidade é a coisa mais necessária,
e creio!
Se minha percepção crescer mais, não vou precisar de saudade!
Anseio!…


Belo Horizonte, 21 de junho de 1981.

Euna Britto de Oliveira