Lugar Comum

Estou caminhando nas nuvens
refletidas na areia onde a onda se espreguiçou…

Essa é minha hora de querubim,
quero bis!…
O céu tão baixo, tão debaixo dos meus pés,
e eu, uma pecadora comum,
assim, sem mais nem menos, sem purgatório,
no céu?!…
Tudo de verdade,
o mundo de cabeça para baixo,
só porque a terra está encharcada de água de sal…

—“Estão vendendo corais de Coroa Vermelha,
por favor, não comprem!
Em vez de comprar, denunciem!
Pela preservação do ambiente!”
Anuncia o trio elétrico,
num intervalo das músicas praianas, baianas…

O trio também anuncia
que há uma criança perdida na praia…
Na beira da água sem transparência e sem fim…

Sinto alívio porque meus filhos cresceram
e nessa hora não estão nesse cenário!
Ao mesmo tempo, sinto culpa e desconforto,
porque há pais em desespero,
e eu estou em segurança
e estou bem.

O coral, o mar faz mais!…
Demora, mas faz!
Posso até comprar, sem culpa, o coral que já foi extraído do mar.
E a criança?
Com criança, todo cuidado é pouco!
Tá louco?..
Já fui “guarda-costas” e “salva-vidas” de cinco…

Euna Britto de Oliveira