Misericórdia!…

Não era estrondo que eu queria falar,
Era escombro…
No entanto, uma coisa tem a ver com a outra,
Pois foi antes do escombro
Que se ouviu o estrondo!…
Não sei o que se partiu,
Não sei o que caiu,
Só sei que algo ruiu…
E nas ruínas das piscinas da ex-cidade
Só se vê o lugar onde a felicidade se banhava…
É Egito misturado com Turquia,
Misturados com Pompeia,
Com torres gêmeas, rastros, restos de tsunamis…
Postes romanos,
Desumanos empalamentos,
Paredões, aparelhamentos,
Execuções,
Sinais de pestes,
A morte alada sobrevoando ao lado….
Xô, o que for!…
Não se transmutou a água em vinho para nada!…
Transmutem-se estrondos e escombros e tudo o mais que não vier de Deus
Em ondas de Misericórdia!…
Piedade, Senhor!

BH, 24/11/2014

Euna Britto de Oliveira