MISTURA DO QUE PASSA E O CARAÇA…
Não sei se meio acordada e meio dormindo
Ou meio dormindo e semi-acordada
Andei escrevendo coisas
Umas coisas eu achei, outras eu perdi
Algumas escondi
A pedra de amolar é mais útil que um colar
E no entanto não sei usar
Faca amolada me corta
Faca cega me amola
Fantasmas enchem a madrugada com seus espasmos
Atitudes eletrizam ou paralisam
Houve um dia em que subi na Pedra do Pato, no Caraça
Uma pedra toscamente retangular
Que pode até conhecer quem já andou por lá
A finalidade era esperar os que iam à Cascatona
Longe demais para o meu gosto de andar
Subi na pedra como quem sobe em seu rochedo de salvação!
Fiquei sozinha sobre a pedra.
Quando todos se distanciaram
Não senti medo de lobos guará
Nem me lembrei de lobos!…
Senti medo de onça e a vontade de voltar
À segurança do Santuário do Caraça
Pensei em deixar uma mensagem escrita com gravetos
Dizendo apenas VOLTEI
Mas me contive e esperei.
Demoraram o mesmo tempo que o meu medo de onça durou:
Uma vice-eternidade…
Aquela pedra não iria me livrar de nada!…
Se onça do mato do Caraça me alcançasse
Iria me atacar no limpo!
A superfície da pedra era larga e limpa!
Penso agora que seria ideal para servir de altar
A Abraão e o sacrifício da vida de Isac!…
Para me livrar de onça, não.
Não me livro fácil é da minha imaginação…
O dia estava lindo e o ar puríssimo!….
A minha respiração?
O suficiente para um treinamento de calma
Para um registro de alma!…
Euna Britto de Oliveira
BH, 18/03/2017
