Na água de mentira, do sonho,
Sei nadar…
O largo rio, sei atravessar…

Mais um dia na vida de todo mundo!
Ainda sei fazer letra de quadro-negro
Para 1º ano escolar.
Parece até que nada se perde…
A prova disso é a anciã que agonizava,
E, em suas alucinações, lavava direitinho a roupa do neto,
Do jeito que fazia quando era mais nova;
E o neto, um homem, era bebê de verdade!

Que longa fita magnética cabe aqui na minha cabeça,
Para gravar tanta coisa?!…
Se disserem que a idéia de morte me persegue,
Devem lembrar que a da vida me consegue muito mais!!!…
Não quero aprender nem sei fazer feitiço,
Mas sei fazer “contra-feitiço”,
O que por mim mesma aprendi!
A não ser por necessidade,
Não vendo a casa da praia
Que meu pai deixou pra mim.
Vou é murá-la!


Belo Horizonte, 1984

Euna Britto de Oliveira