O Olimpo está limpo!

De vez em quando, há umas árvores e uns ventos
Que me lembram cemitérios.
Mas essas árvores têm de ser pontiagudas
E os ventos, uivantes!…
O céu, obrigatoriamente cinzento.

Certas pessoas têm olhos de velório – mortiços…
Outras, de passageiros nos salões de festa de navios
Depois que sentiram o sol
E viram o mar o dia inteiro! – Brilhantes!…

As planícies são o sossego da geografia dos países
E a flor mais alegre de todas, pra meu gosto, é a margarida!

“Mãos de mulheres, cheias de ternura, cozinhavam seus filhos,
que lhes serviam de alimento…”
Fechei o livro sagrado para não ler mais os relatos de Jod,
Porque não houve barbaridade tamanha nem na segunda guerra!
Desviei o olhar para o outro lado…

Vi que na montanha subia uma fumaça da cozinha do convento
Mas não era nada, era névoa,
A água que a noite cozinhou com indevassável amor.

É tão gostoso trabalhar com palavras!
São tão mais portáteis do que tinta
Ou qualquer outra matéria-prima!…
Só que de vez em quando assisto
À esgrima de umas palavras com as outras
No palco da minha mente,
E isso teima, queima!…
Outras vezes, elas me viajam,
Põem-me de acordo com o mundo
E me limpam.

Por falar nisto,
O Olimpo hoje está limpo!
Não há mais deuses por lá!
Estão morando nos livros…

Euna Britto de Oliveira