Chega um tempo em que não há mais o que falar, nem o que escrever, porque as palavras foram roubadas,
silenciadas, substituídas por outras, de outras origens, e fica o dito pelo não dito, e o não dito por dito.
Pelo menos, o que foi dito foi bem dito, foi gravado, é bendito!
O que não foi dito, foi adivinhado, porque nem só com palavras se fala.
Com o corpo também se fala. (O Corpo Fala – livro de Pierre Weil).
Fala com gestos, atitudes, presenças, ausências, atenções, desatenções, expressões fisionômicas,
apreciações, depreciações, curtições, intolerâncias, lembranças, esquecimentos, procuras, fugas,
distanciamentos, aproximações…
Enfim, o ser humano se revela quando quer, e acaba se revelando,
ainda que tardiamente, mesmo quando não quer se revelar…
O que caiu no subconsciente, caiu. O que não caiu, não cai mais.
Ou talvez caia, não sei.
A gente cai tantas vezes ao chão!…
O subconsciente é o chão para as quedas do coração!…
É o chão para as muitas sementes, para as muitas palavras!…
Há o tempo de semear e o tempo de colher!…
O que terei semeado?… Em que terreno?…
O que estarei colhendo?…
Viver para ver! Com olhos que já sorriram e choraram, e hão de serenar!…
Um braço poderoso nos governa, e deixa seguir… ou não deixa.
Seguir o sonho…
Sonhar é acreditar.
Seguir é não desistir.
Não desistir do sonho!
O sonho é lavra de palavras.
Aquele que sonha, volta a ter voz e palavras!…
Toda mudez é desterrada,
Toda nudez é consagrada,
Toda palavra é reavaliada,
E nenhuma ofensa é retaliada.
Tudo, tudo é perdoado.
Ou não se sonha mais nada!…
Palavra!
Belo Horizonte, 26/09/2012
Euna Britto de Oliveira
